Autoavaliação 7 aprendizagens e o planejamento curricular

Créditos: @giuliamay

Por Katia Gonçalves Mori

A autoavaliação e o replanejamento curricular no contexto da crise

Uma das tarefas mais difíceis para professores de todo o mundo agora é enxugar conteúdo, ajustar o tempo e pensar em atividades à distância e com o ano letivo já em andamento... pensando em trazer um apoio nesse momento difícil, que tal uma pausa produtiva para uma breve autoavalição?

Por que autoavaliação?

Essa é uma proposta prática em duas etapas

 Autoavaliação e as 7 aprendizagens básicas da convivência social


Gosto de trabalhar com autoavaliação nas propostas educativas para a formação de gestores e professores que colaboro. Esse breve exercício visa contribuir com os educadores que precisam fazer o replanejamento de seu conteúdo programático em meio ao contexto de pandemia do coronavirus.

A ideia é reconectar os saberes curiculares ao enfrentamento dos desafios da vida real.

Por que autoavaliação?

A autoavaliação é uma poderosa ferramenta pedagógica, recomendada por 99% dos especialistas em avaliação que estudei durante meu curso de mestrado e doutorado em educação: currículo. E sabe por quê? Porque se tem uma coisa que está ao nosso alcance é o nosso próprio pensamento, nossos próprios valores, hábitos e comportamentos. Por promover a autorreflexão no processo cognitivo e socioemocional, colocando luz ao que fazemos muitas vezes quase que automaticamente, ela justamente atua em nossas capacidades de pensar, de tomar decisões mais assertivas. Por isso, temperar com autoavaliação o processo educativo é fundamental em qualquer grau de complexidade e etapa da vida.

Antes de começar lembre-se de considerar o Projeto Pedagógico de sua escola para o seu planejamento.

1) Para se chegar a um modelo de sociedade com um tecido social sadio, Toro e Werneck (1996) propõe 7 aprendizagens básicas da convivência social. Elas nos ajudam a pensar em quais desafios reais de convivência, tão relevantes em dias atuais. Entre as sete aprendizagens propostas, assinale ou coloque em ordem de prioridade o que faz sentido para você. Considere seu contexto real, seus alunos reais:

( ) Aprender a cuidar de si
( ) Aprender a cuidar do entorno
( ) Aprender a valorizar o saber social
( ) Aprender a não agredir o semelhante
( ) Aprender a se comunicar
( ) Aprender a interagir
( ) Aprender a decidir em grupo


2) Com o seu conteúdo em mãos, reflita sobre o que irá propor (leituras, reflexões, atividades etc.) . Pense o quanto isso não contribui / contribui pouco / contribui muito com algumas das 7 aprendizagens básicas da convivência social que você escolheu.

Importante! considere aspectos práticos


Não se cobre muito. A situação atual está muito difícil para todos. Antes de qualquer coisa, siga as recomendações da OMS. Está tudo bem se sentir inseguro, ter dúvidas, medos e incertezas.

- Não se apegue tanto ao conteúdo que havia planejado. É tempo de resiliência, de superação. Seus alunos, assim como você, já estão aprendendo muito com esses tempos difíceis. Traga aspectos absolutamente centrais. Não queira colocar tudo superficialmente. Um bom exercício pode ser o de pensarmos como se estivessemos preparando uma bagagem de mão... o que é absolutamente essencial? o que "sem isso" seria impossível seguir a viagem?

- Considere conexões com outras disciplinas. Isso é importante tanto para você não sobrecarregar os alunos quanto para lembrar se há algum tema da sua matéria que não pode ser deixado de lado para a compreensão de outras temáticas trans ou interdisciplinares. Sempre que necessário combine com os demais professores, mantendo um bom canal de comunicação.

- Seja menos exigente ao propor tarefas e prazos. É bom manter disciplina e rotina de aprendizagem. No entanto, os alunos e as famílias podem estar sensivelmente abalados e/ou com limitações de infraestrutura. Sempre que possível, avalie o grau de dificuldade das atividades propostas e prazos. Pense que você também já está sobrecarregado e não gere muito trabalho com as correções e devolutivas. Uma dica seria considerar também outras atividades como leituras extras, pesquisas livres, textos de autoria, filmes, brincadeiras, convivência familiar como momentos de crescimento pessoal, social e cognitivo.

Por fim... 
Você verá que não há uma "resposta certa", tampouco "respostas prontas". A autoavaliação conduz a um processo de autoconhecimento como um guia. A prática da ação-reflexão (Alarcão, 2003) permite a conexão com os seus próprios objetivos, mantém aberto o canal da metacognição, poossibilitando enchergar possibilidades e superar os próprios desafios.


Para saber mais: Alarcão, Isabel (2003) Clique aqui e Toro e Werneck (1996).Clique aqui


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