7 lições que aprendemos com as redes colaborativas

Imagem: John Hain 

- Redes colaborativas são incentivadas por salvar vidas e melhorarem a resposta à economia
. 7 lições que podemos aprender com as redes colaborativas
. 5 exemplos inspiradores

Por Katia Gonçalves Mori

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Não há como impedir o surgimento de uma crise, porém é possível conduzir seu percurso, cuidando dos mecanismos de interferência, com planos de tomadas de decisões e reação. O que determina seu percurso é o alinhamento das redes colaborativas em relação aos objetivos consensuados.

A pandemia do coronavirus colocou o mundo numa situação inédita de enfrentamento de uma crise de saúde pública e econômica simultâneas. Pela primeira vez da história, todos os países têm que lidar com o mesmo desafio sincronicamente. 

O enfrentamento de algo inédito exige muito mais esforços em relação ao trabalho em equipe, a confiança nos especialistas de todo o mundo e de todas as áreas, as lições aprendidas em diferentes territórios e contextos, a liderança clara de gestão de processos, sem respostas simplistas, e uma população disposta a colaborar pelo bem comum.

O que podemos ver ao se aproximar dessa proposta de organização de trabalho e produção

Nesse cenário, fica evidente que não há respostas prontas, não há protocolos predeterminados. É preciso ler a situação e tomar decisões que afetam a vida de milhões de pessoas em tempo real. 
A Organização Mundial da Saúde e cientistas do mundo todo têm trabalhado no sentido de produzir a vacina, encontrar medicações e indicar medidas de segurança para proteger a população do contágio. Uma das recomendações imediatamente considerada pelos países é o isolamento profilático/quarentena  que pode ser aplicado de diferentes formas com impacto direto na saúde pública e na economia. 

Países como Portugal estão incentivando a relação de confiança entre as pessoas com uma comunicação clara e engajadora de seus governantes. Eles apostam que a colaboração é fundamental para achatar a curva do contágio, proteger o sistema de saúde e recuperar a economia. Medidas preventivas como incentivar o cuidar de si, do outro, a prática do turismo local nas férias de verão e o consumo de produtos nacionais são exemplos de mensagens dirigidas à população. Além disso, sempre há uma comunicação de encorajamento e valorização do esforço mútuo pelo bem comum. Quando todos se sentem responsáveis e participativos, a resposta social tende a ser mais otimista e bem articulada.

Nesse sentido, redes de pessoas e instituições que atuam para o bem comum podem ter uma boa resposta. O que podemos ver ao se aproximar dessa proposta de organização de trabalho e produção? A seguir reunimos algumas das características comumente identificadas entre as experiências de êxito.

7 lições que aprendemos com as redes colaborativas

- São flexíveis, não dependem de processos burocráticos. Essa característica permite rápida organização e tomada de decisão ante os desafios que surgem.
- São multidisciplinares, plurais e abrangentes. Baseiam-se em considerar o conhecimento científico como norte das tomadas de decisões em todas as frentes.
- Fortalecem as relações de confiança, o que especialmente favorece os cuidados emergenciais, o comportamento adequado mediante as medidas para eficiência da saúde pública e a retomada da economia.
- Apostam na corresponsabilização de todos e cada um, no cuidar de si e do outro, na resposta "todos por todos", desarmando o "cada um por si".
- Fortalecem a coesão social, com melhor engajamento em nível local, regional, global.
- Atuam na produção e circulação de informação de qualidade, produzindo e levando conhecimento com velocidade.
- Atuam com o princípio da solidariedade emergencial, garantindo que chegue rapidamente cuidados, dinheiro, alimento, conforto psicológico a quem mais precisa.

5 exemplos inspiradores

Entre milhares de redes colaborativas, associações, cooperativas e iniciativas solidárias mundo afora, seguem cinco exemplos inspiradores para que possamos pensar em como tais  iniciativas fazem a diferença para o público que atendem e merecem o melhor de nossa atenção e espírito criativo. Mesmo em países que enfrentam uma forte crise política em pleno curso pandêmico, como é o caso do Brasil, são as redes colaborativas que trazem respostas positivas de esperança e proteção mútua.

A CUFA (Central Única das Favelas) é uma organização brasileira reconhecida nacional e internacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural que existe há 20 anos. A rede colaborativa está com várias frentes de solidariedade emergencial e é possível participar sendo voluntário ou fazendo doações.

Amigos do Bem .75 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social no nordeste do Brasil estão sendo diretamente assistidas pelos Amigos do Bem.

Transforma Brasil.  Essa plataforma colaborativa têm por objetivo conectar voluntários que querem ajudar com quem precisa. Com sede em São Paulo (SP), a plataforma irá cadastrar as vagas disponíveis nas Organizações Não Governamentais de todo o País e ligá-las aos profissionais de diversas áreas que cadastrarem sua disponibilidade para serem voluntários. Com o apoio de fundos de assistência internacional, a iniciativa pode alavancar os números de voluntariado no Brasil, como aconteceu nas cidades em que a plataforma já foi implantada, como Recife (PE) e Campinas (SP).

Fruta feia.  Com o slogan "Gente bonita come fruta feia" essa cooperativa de agricultores, Portugal, tem por objetivo reduzir o desperdício de toneladas de alimentos de qualidade que deixam de ser consumidos porque estão fora do padrão estético de consumo. Essa medida evita o gasto desnecessário dos recursos usados na sua produção, como a água, as terras cultiváveis, a energia e o tempo de trabalho. Ao alterar padrões de consumo, o projeto pretende que no futuro sejam comercializados de forma igual todos os produtos hortofrutícolas com qualidade, independentemente do tamanho, cor e formato. Os preços praticados são mais baratos, o que favorece a compra. A cooperativa já conta com cerca de 230 agricultores, mais de 5500 consumidores e evita semanalmente que cerca de 15 toneladas de fruto-hortícolas sejam deitados fora. Em meio à pandemia do coronavirus, eles seguem trabalhando e o impacto é fantástico, quer seja pela saúde das famílias, pela economia doméstica e pela geração de renda para os agricultores.

Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública de Portugal , em parceria com diversos colaboradores, está disponibilizando vários recursos úteis relacionados com o COVID-19.



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