Educar para a construção de um mundo melhor: três sugestões de reflexão pedagógica

Educar para a construção de um mundo melhor

Por Katia Gonçalves Mori

Não há saída, ou o homem aprende a tecer e cuidar de redes colaborativas em favor de um bem comum ou trava uma disputa individual que, em última instância, pode se tornar um projeto suicida de sociedade.

Por mais que Projetos Pedagógicos ou de Responsabilidade Social Universitária possam apresentar  referências ao desenvolvimento integral, formação para a cidadania e o mundo do trabalho, como transformar o documento em atividades práticas tem sido um desafio constante.

Quatro exemplos de posturas mais comuns entre aqueles que desejam desenvolver uma educação para a construção de um mundo melhor.

Nesse cenário, ao menos quatro posturas são mais comuns de serem observadas em educação: pensar que a formação para a construção de um mundo melhor está contida no projeto pedagógico, portanto não é preciso dispensar mais energia para direcionar atitudes de maneira intencional no currículo; acreditar que o saber técnico-científico, aquele medido nos exames padronizados, por exemplo, é "suficentemente bom" para a formação dos estudantes; estar atento e preocupado com a formação mais humanizadora, mas nem sempre conectar atividades, pequenas ações ou reflexões cotidianas, aos objetivos consensuados; estar atento e revistiando constantemente a própria prática.

Em se tratando de um universo de possibilidades como o educativo, há muitas maneiras de se construir as possibilidades para esse fazer pedagógico estar alinhado à proposta de educação transformadora. Uma proposta metodológica que desenvolvida em vários países, por exemplo, é a aprendizagem solidária (ou aprendizagem e serviço solidário). Nela, o conhecimento culturalmente acumulado é empregado para o enfrentamento de problemas sociais reais. Nesse cenário, a articulação curricular é favorecida, uma vez que os alunos são instigados a fazer conexões entre temas e conteúdos para resolver os problemas,  criar hipóteses, desenvolver a criatividade, a persistência, a responsabilidade, a empatia, a colaboração, enquanto pensam em estratégias para o enfrentamento dos problemas reais, aprendendo com as superações dos próprios erros.

Nesse contexto, os estudantes são desafiados a serem protagonistas de trabalhos colaborativos junto com a comunidade, quer seja em contato real e/ou virtual. A qualidade da educação e a qualidade de vida têm o mesmo peso, uma fortalece a outra. A riqueza das possibilidades está na autonomia das escolas, na diversidade dos territórios, nas histórias de vida das pessoas que participam.

@Adi Droid

Três sugestões de reflexão pedagógica:

Metodológica: Esse slideshare compartilhado apresenta o conceito de aprendizagem solidária a partir de exemplos comentados, um percurso facilitado para perceber o quanto já se sabe a esse respeito. A metodologia pode ser desenvolvida com qual idade e qualquer temática. Para conferir, clique em:   Educação para um mundo melhor: aprendizagem solidária - considerações iniciais.

Conceitual: Nesta entrevista, Andreas Schleicher, Diretor da OCDE para Educação, comenta a força dos jovens como protagonista no processo de ensino aprendizagem e de como é importante criar situações e diferentes estilos de aprendizagem, inclusive para envolver aqueles jovens apartados da vida escolar. Além disso, afirma que não deve haver concorrência entre o desenvolvimento cognitivo e competências socioemocionais e formação para a cidadania.

Inspiradora: O site da ONU com os 17 objetivos para transformar nosso mundo pode ser inspirador para ajustar o foco no momento do planejamento da atividade pedagógica. Envolver os alunos na escolha do tema do que querem estudar, deixando que tenham a responsabilidade de apresentar as conexões com o conteúdo que estão aprendendo nas disciplinas pode ser extremamente desafiante.

E você, como se percebe nesse processo? Compartilhe a sua experiência com seus pares, traga para espaços abertos como esse, faça circular sua trajetória, desafios e sugestões. Sua história pode inspirar outros educadores ao redor do mundo. 




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