7 características da Aprendizagem Solidária para desenvolver as competências do século 21

7 características da Aprendizagem Solidária

Por Katia Gonçalves Mori

Se você imagina que "Aprendizagem Solidária" são ações pontuais de voluntariado ou campanhas de doação promovidas por escolas você irá se surpreender.

Aprendizagem solidária é uma maneira de pensar a construção do conhecimento para a promoção da transformação social desejada. Entre as características mais marcantes, essas sete são fundamentais e coontribuem para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Veja como ela sugere arranjos entre o conteúdo da sala de aula e os problemas sociais reais sem mistérios. Tais características mostram que quando ambos estão bem articulados é possível fazer a diferença para desenvolver as competências do século 21 sem desconectar formação acadêmica da formação para a cidadania.


Credit: Perry Grone


1. Foco na aprendizagem - estudante protagonista

Considerar o estudante como centro do processo de aprendizagem é uma vantagem pedagógica quando se deseja que ele esteja mais motivado para aprender, que ele se responsabilize pela própria aprendizagem junto com o professor e os envolvidos, que ele aprenda com o processo e com os próprios erros, que ele aprenda a ter responsabilidade pelo que se propõe a fazer, que ele veja sentido no que estuda. Não se trata de uma aposta de educação no que pode vir a ser, mas em acreditar que os jovens são pessoas capazes de aprender e participar socialmente hoje. 

2. Foco na solidariedade como promoção da transformação social

Solidariedade é um termo fácil de ser mal interpretado se descolado de sua real denominação.  Solidariedade se remete à qualidade de se estabelecer uma relação de coesão social, de apoio mútuo, de que cada membro sozinho é mais fraco do que todos juntos. Para isso, a solidariedade acontece a partir da relação horizontal de confiança, de colaboração para o bem comum. Nesse sentido, ela pode atuar nos sintomas emergenciais, como a fome, a sede, a dor, o apoio psicológico, entre outros e pode atuar nas causas, na proteção mútua, a partir de redes de corresponsabilização pelo bem comum, com trabalho constante de proteção a todos e cada um, guiados pelo sentido ético de afirmação da vida.

3. Há trabalho colaborativo 

Para que o estudante possa aprender de fato a ser responsável com o outro pelo bem comum, é preciso que ambos participem da atividade. Para que seja possível aprender a estabelecer uma relação de confiança, é preciso que haja um trabalho colaborativo no qual tanto os estudantes quanto a comunidade possam estabelecer os objetivos e propor soluções para a transformação social desejada. Para que seja possível enfrentar um problema social real, é preciso que haja uma rede colaborativa multidisciplinar engajada, trazendo informações, conhecimentos, testando hipóteses e alterando o percurso quantas vezes sejam necessárias.

4. Há articulação curricular

A atitude parte de um problema social real que desafia os estudantes a estudar mais, pesquisar novos conhecimentos, fazer conexões entre temas de diferentes disciplinas, desenvolver competências como curiosidade para aprender, determinação, resilência, criatividade, etc. Não se trata apenas de estudar para ir bem num exame escolar. O interesse e a motivação por compreender e atuar com questões que de fato interessam aos envolvidos trazem sentido ao querer colaborar, participar, atuar com pessoas reais em territórios reais. Nesse sentido, a articulação curricular acontece, num processo que envolve o desenvolvimento de temáticas de diferentes ciências, técnicas, habilidades e competências de maneira articulada para resolver problemas sociais complexos. É pelo caminho da flexibilidade e autonomia curricular que ela ganha corpo e relevância.

5. Há intervenção no território

Sim, a aprendizagem solidária se caracteriza pela intervenção nos territórios, quer seja próximo da escola ou universidade, quer seja próximo ao currículo. O que vale é a possibilidade de aprender com o outro real, não se trata de uma simulação ou estudo de campo. 
Em dias atuais, somos ao mesmo tempo presencial e virtual e essa consideração é fundamental. 
Estar próximo ao currículo não significa necessariamente atuar no local geográfico onde está a escola ou os estudantes. É possível, por exemplo, considerar uma atividade na internet com imigrantes em continentes diferentes ou atuar no âmbito das tecnologias da informação e da comunicação contra redes de produção e dissiminação das chamdas fake news. O que vale é trabalhar com situações reais e que isso impacte tanto no desempenho educacional quanto na ação para um mundo melhor.

6. Qualquer idade, qualquer conteúdo

Se consideramos por Aprendizagem Solidária propor práticas educativas nas quais os alunos aprendem a partir do enfrentamento de problemas reais, não há limite de idade ou temática. A flexibilização curricular é favorecida, bem como a automia para o desenho da proposta, quer seja na escola, na universidade ou em propostas educativas promovidas por organizações da sociedade civil.

Por exemplo, ao invés de aprender desenho em uma aula de Artes, que tal os alunos de (educação infantil/adolescentes/jovens/adultos) pensarem em fazer uma intervenção artística nos muros da escola, no bairro, para aprender também a cuidar do patrimônio público?

7. Diferentes nomenclaturas 

Aprendizagem solidária pode ser encontrada em vários nomes, de acordo com a apropriação dos diferentes territórios e as linguagens. Isso não é visto como uma ameaça, mas sim como um termo vivo que ganha força com suas diferentes vozes, tons e signos. Exemplos para aprendizagem solidária: aprendizagem serviço, service learning, aprendizaje-servicio, aprendizaje servicio solidario, etc. 

Para saber mais, acesse:

Guia para o desenvolvimento de projetos de aprendizagem solidária
RIDAS: confira a última edição

Comentários

  1. Sensacional! Parabéns pelo artigo, Kátia e pela dedicação para ampliar nosso conhecimento sobre a educação que vai revolucionar positivamente e construir um mundo melhor! Estamos juntas!

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    1. Obrigada, Lucy. A corresponsabilização por um mundo melhor é o que nos faz abrir os olhos e respirar todos os dias... seguimos!

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