O mundo unido contra o racismo

O mundo unido contra o racismo

Caso George Floyd
O que é racismo, preconceito e discriminação
O que é racismo estrutural
Qual outra narrativa possível

Credit Max Bender
Por Katia Gonçalves Mori

Protestos contra o racismo. O trágico episódio nos Estados Unidos há dez dias gerou uma repercursão mundial, diferentes vozes e contextos, histórias de vidas que se identificam e sofrem com o racismo. 

Milhares de pessoas ganharam as ruas. Em meio à barbarie, o silêncio é conivente para o opressor. 
A informação e a consciência frente ao problema é o primeiro passo para o seu enfrentamento. Não há neutralidade em nenhum cenário. Se calar é deixar as coisas como estão, se posicionar contra é também um constante exercício de construir pontes para outra narrativa possível.

E você, como o racismo te afeta? Como mobiliza a sua forma de ser e estar no mundo?

"I can´t breathe" 

Foram essas as palavras que marcaram o dia 25 de maio de 2020, data em que se celebrava o Memorial Day, o feriado norte americano em homenagem aos militares mortos em combate.
Elas foram proferidas por George Floyd, um homem negro que durante alguns minutos travou um combate pela vida e perdeu ao ser asfixiado enquanto estava algemado por um polícia branco, em Mineápolis. O crime foi registrado e divulgado nas redes sociais. Em poucos minutos foi iniciada uma onda de protestos contra o racismo que se espalha pelo mundo num caminho entrelaçado com o enfrentamento da pandemia letal do novo coronavirus, o que agrava ainda mais a situação, dada as medidas de proteção sinalizarem o isolamento social como prevenção ao contágio e transmissão.

Em Lisboa, a Frente Unitária Antifascista decidiu fazer um ato junto à Embaixada dos EUA em solidariedade aos manifestantes que lutam contra o racismo nos Estados Unidos e exigem o fim da violência policial e homicídios raciais. Há eventos marcados para os dias 6 e 7 de junho.

O que é o racismo?

O racismo muitas vezes está associado a preconceito e discriminção.  Segundo a wikipedia, o racismo foi uma força motriz por trás do tráfico transatlântico de escravos e de Estados que basearam-se na segregação racial, como os Estados Unidos no século XIX e início do século XX e a África do Sul sob o regime do apartheid. As práticas e ideologias do racismo são universalmente condenadas pela ONU, na Declaração dos Direitos Humanos. Ele também tem sido uma parte importante da base política e ideológica de genocídios ao redor do planeta, como o Holocausto, mas também em contextos coloniais, como os ciclos da borracha na América do Sul e no Congo, e na conquista europeia das Américas e no processo de colonização da ÁfricaÁsia e Austrália.

O que é preconceito?

Preconceito, como o nome sugere, é o pré-conceito sobre algo, é um pré-julgamento que geralmente parte de categorias de generalizações simplistas que podem ser absolutamente injustas por não estarem conectadas com a verdade de fato, mas sim com crenças subjetivas.

O que é discriminação?

A discriminação é uma conduta também injusta tomada a partir da privação de direitos de outras pessoas mediante sua condição social, econômica, religiosa, racial, etária, entre outras.
Ela difere do racismo porque esse se baseia em uma leitura de raças humanas diferentes, atribuindo a uma os poderes de se sobrepor à outra. É uma condição social apoiada em características biológicas, como o tom de pele, por exemplo.

O racismo pode se manifestar de diferentes formas

De diversas formas, principalmente em atos de injustiças sociais discriminatórias que tolem o direito à dignidade, à liberdade e à vida.

O racismo estrutural é especialmente relevante.  Nele a branquitude é naturalizada, o diferente é ser negro. O branco não tem raça, quem tem raça é o negro. O racismo estrutural, independente de se aceitar as relações em nível pessoal ou não, constitui-se dentro dos padrões de normalidade de uma determinada sociedade. Isso pode ser percebido, por exemplo, desde no assassinato de George Floyd até no genocídio do nazismo. Em ambos os casos, as vítimas não ofereciam perigo ou resistência. 

Clique aqui para ver uma clara apresentação do conceito de racismo estrutural, por Silvio Almeida.
  

A polícia é violenta contra negros não só nos Estados Unidos

No Brasil, por exemplo, a polícia matou 17 vezes o número de negros que a dos EUA em 2019. Segundo a matéria publicada que você pode acessar clicando aqui, foram 4.353 mortos no país contra 259 nos Estados Unidos.

Cultura afrodescendente

ONU declarou de 2014 a 2025 a Década Internacional de Afrodescendentes. Clique para saber mais. 


(Re)lembrando a história do racismo

Há muito conteúdo disponível e produzido. Um jeito muito importante é "usar as lentes" contra o racismo estrutural. Ao assistir um produto cultural, quer seja ele um filme, uma série ou uma peça publicitária, estar atento ao modo como o negro (não)está representado é fundamental. O negacionismo, ou seja, dizer que não existe o racismo não contribui para a tomada de consciência no combate ao racismo estrutural.

Entre tantas opções, sugerimos três:

Conteúdo disponível na wikipédia disponível neste link. Ela traz um breve panorama histórico do racismo. 
Neste vídeo-documentário, há uma breve história do racismo produzida pela ONU:  A rota do escravo: uma visão global
Impossível se esquecer de Nelson Mandela, uma das principais figuras do século 20 que dedicou a sua vida ao combate ao Apartheid e racismo sofrido por seu povo. NELSON MANDELA – Apartheid, Racismo e um longo caminho para a liberdade│História

A narrativa importa?

Sim, e muito! A reflexão sobre ética e estética de quem nunca foi representados para além dos esteriótipos, a construção de uma (nova) narrativa para a transformação social é o que vemos neste vídeo. Gabi Oliveira, a partir de sua história de vida, nos convida a refletir sobre esse tema tão urgente e tão próximo de cada um de nós. Novas narrativas importam

Entendendo raça e racismo: por uma educação racialmente crítica e antirracista

Neste artigo, o autor, Ronald D. Glass, discute premissas subjacentes a perspectivas sobre raça e permite uma abordagem mais estratégica para transformar o racismo. "O objetivo da análise não é atribuir culpa ao passado ou ao presente; ao contrário, é fornecer uma estrutura para apoiar a responsabilidade e a prestação de contas individual e coletiva que pode levar à implementação de um grau maior de justiça. A educação racialmente crítica e antirracista une as pessoas à história de lutas por justiça e une umas às outras para as próximas lutas, criando assim o sonho de uma democracia justa mais perto de se tornar realidade".

O racismo, o preconceito, a discriminação são constructos humanos. Ter empatia, respeito, também é humano. Aprendemos constantemente com os outros, mediados pela cultura. Se a escola é espaço formal de aprendizagem, passa pela educação também a responsabilidade por promover reflexões sobre a responsabilidade de não alimentar o racismo. O mundo que queremos precisa ser construído e gestado com consciência e afirmação de novas narrativas. Todos nós, em todos os territórios, temos que fazer a nossa parte. Cada gesto importa.

Porta dos fundos: NOTA DE REPÚDIO 
A produtora de vídeos de humor brasileira traz justamente a questão de que é importante e possível construir outra narrativa. Assista ao episódio sobre racismo.
#vidasnegrasimportam #blacklivesmatter

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