Ressignificando a escola em contexto da pandemia

Ressignificando a escola em contexto de pandemia

Credit: 和 平 

Crise Covid-19
Impactos na sociedade e na educação
Documento da OEI - Ressignificando a escola em contexto da pandemia

Romper os muros da escola

Estamos atravessando a pandemia do novo coronavirus
Milhões de pessoas perderam a vida. A tristeza, o medo, a ansiedade, o stress, a incerteza, a dor nos tocam. Nesse cenário, temos que lidar com a pandemia em meio ao cenário de desigualdades que nos revela a fratura exposta de uma sociedade doente. Há um abismo entre quem têm acesso à condições de bem estar social e quem não tem, isso sem falar do luxo. Ou seja, minimamente quem tem acesso à moradia, água potável, saúde, educação, transporte e pode cumprir as medidas de proteção. 

Em meio a tantas situações difíceis  como a dor das famílias enlutadas, o medo do contágio as medidas de confinamentoe o cenário de incerteza que ela provoca, é praticamente impossível não se abalar emocionalmente. O que a vida nos ensina neste 2020 é absolutamente impactante e um convite a uma nova maneira de pensar, se relacionar, consumir, produzir e também de repensar a educação

O documento lançado pela Organização dos Estados Iberoamericanos apresenta uma proposta de ressignificação da escola em contexto de pandemia, trazendo princípios, recomendações e, sobretudo, ideias para a ação.

É um momento de olhar para a escola como espaço de responsabilidade, de acolhimento das famílias, de integração com a comunidade, de formação de pessoas capazes de enfrentar situações tão adversas. Para isso, propõe a releitura de seus pilares fundamentais na dimensão institucional, socioafetiva, pedagógica e familiar.

Mais do que em qualquer outro momento da história, a escola rompe seus muros e se permeia de realidade nos convidando a repensar a formação para novos tempos, considerar prioridades, espaços reprogramar calendários, redefinir expectativas. 

O cenário da quarentena é um desafio imenso para a gestão, para os professores, para a organização curricular, mas também para as famílias. Não há solução simples. Se antes a escola já evidenciava a desigualdade social, agora ela é assustadoramente real. É preciso colocar luz e revelar caminhos e oportunidades. Nesse percurso precisamos construir redes colaborativas para que todos cuidem de todos.

É tempo de repensar práticas pedagógicas, seleção de conteúdos, o espaço de trabalho entre professores, o fazer pedagógico, a colaboração, os objetivos e metas de aprendizagem. A integração curricular é fundamental, repensar o modelo para que seja possível melhorar o atendimento inclusivo a todos e cada um de maneira acolhedora e assertiva.

Do ponto de vista da infraestrutura, é preciso considerar o suporte tecnológico e a formação de professores, as prioridades, os momentos síncronos e assíncronos e a conectividade a curto e médio parazo.

É preciso ressignificar o contato com as famílias. Essa parceria é fundamental para dar apoio aos encarregados de educação, para receber apoio e também para proteger os estudantes de situações de perigo. O bem estar dos membros da comunidade educativa precisa estar previstos no âmbito do replanejamento em tempos de pandemia. Priorizar atividades que orientem atitudes e comportamentos que desenvolvam as competências socioemocionais é fundamental. Controlar a ansidedade, lidar com a dor da perda de um ente querido, o medo do contágio, o respeito e a empatia no cuidar do outro, o foco para a realização das atividades, tudo isso é fundamental.

Cuidar dos professores para que eles possam propagar o cuidado às famílas e estudantes por meio de informação e estratégias de aprendizagem. Melhorar as relações de confiança entre professor - estudante é primordial.

Integrar as atividades de forma que os estudantes possam perceber a importância das emoções nos cumprimentos das tarefas pedagógicas é uma das ótimas sugestões trazidas neste documento. Promover espaços de autoconsciência no desenvolvimento das atividades com feedbacks claros auxilia tanto os professores a planejarem as atividades quanto os alunos perceberem o que dá certo, o que dá errado, como aprendem e o que podem fazer para melhorar. Isso pode ser conseguido com perguntas como "Ao iniciar esse trabalho me sinto..." O que mais gostei nessa aula de hoje foi..." podem ser bons exemplos desse diálogo acolhedor e construtivo.

Nesse momento de pandemia, é fundamental desenvolver atividades que fortaleçam os pilares da resiliência, como a tolerância ao estresse, tolerância à frustração, autoconfiança. É preciso estabelecer um currículo no qual seja valorizado o cuidar de si próprio e de seu autoconhecimento, cuidar do outro e do planeta, buscar soluções pacíficas para os conflitos, ter otimismo e melhorar a comunicação, dando mais atenção inclusive a voz dos estudantes.

Para a dimensão pedagógica, as referências apontam especialmente para um bom diagnóstico e instrumentos de acompanhamento. Além disso, rever a linearidade do currículo para atividades mais integradas, priorizando o desenvolvimento das habilidades e competências. Isso implica em aposta mais flexível e integrada, mirando ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes e de um desenvolvimento psicológico e saudável também.

Acesse o documento  (em espanhol) clicando aqui, estude-o como referências pedagógicas para rever seu próprio currículo de acordo com as reais necessidades de sua comunidade escolar. A prática do replanejar constantemente está em alta.  Acreditamos na força do cuidado mútuo como a melhor aposta para o enfrentamento de situações complexas, em aproveitar o melhor de cada um para o bem de todos.


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