O que significa aprendizagem solidária?



O que significa aprendizagem solidária?

A entrevista concedida ao Cenpec Educação, disponível neste link está aqui redigida e ligeiramente ampliada. O tema continua atual faces aos desafios de nossos dias tão conturbados de 2020.

Aprendizagem solidária
Qualidade da educação
Rede Brasileira de aprendizagem solidária


https://www.facebook.com/cenpeceducacao/videos/1530313563719085

Por Katia Gonçalves Mori


O conceito de aprendizagem solidária vem muito inspirado no conceito de aprendizagem e serviço solidário, aprendizaje-servicio, service learning.

Significa trabalhar com a ideia de solidariedade como uma forma de conhecimento. É usar o conhecimento culturalmente acumulado, organizado em disciplinas,  para fazer alguma coisa em prol da sociedade. Com isso o estudante aprender desde o início a pensar para a construção de um mundo melhor, em contexto. Entender que o mundo não é assim, está assim e por isso é possível participar e tornar-lo diferente (MORI, 2013; FREIRE, 1996). 

Isso é o que significa solidariedade do conceito aprendizagem soldária.

Quando o aluno participa de ações planejadas para isso, a escola e as instituições propoem  contextualização para aquilo que ele está aprendendo. Ou seja, ao invés de o aluno estudar só para o ir bem nas provas, ele usa o que está aprendendo para pensar em como eu faço para o mundo ser melhor?, o que eu tenho a ver com isso? 

Nesse sentido, aí sim é possível criar a aprendizagem para a cidadania, para ensinar a estar no mundo e intervir nele, a criar voz e não só ensinar a reproduzir o que aprendeu para ter sucesso escolar, desse modo mais comumente explorado pela mídia (veja exemplo neste link), de acordo com o desempenho dos estudantes nos exames externos, progressão na idade certa, repetência e ingesso na universidade.  

Muitos especialistas contestam a exploração exagerada desse viés por compreender que a educação precisa precisa formar pessoas capazes de aprender para a vida e seus desafios, que vão muito além do que é possível capturar com o rendimento nas avaliações externas (DEMO, 2008; CAMPOS, 2000; BROOKE, N.; SOARES, J. F. 2008). Para além delas, é preciso considerar que a diversidade pulsa de fora para dentro da escola e dela faz um espaço de acolhimento, de lidar com cada pessoa por trás do aluno, de querer que ele seja por inteiro uma pessoa melhor do que quando entrou. Esse esforço do Projeto Pedagógico e dos profissionais de educação em parceria com as famílias não é captado quando se reduz o sucesso escolar a números quantificáveis. As avaliações externas são instrumentos para nortear as políticas educacionais, mas não esgotam a complexa compreensão de qualidade da educação (CASALI, 2011; DEMO, 2007). É preciso valorar a abrangência integral, humanística e ética da educação para além da formação instrucional para o mundo do trabalho e consumo. 

Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária

A Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária é um nó importante da Red Iberoamericana de Aprendizagem Solidária e outras redes que já trabalham com essa mesma proposta de como formar as juventudes para que elas se sitam parte ativa da construção de um mundo melhor. 

É muito importante que todos que tenham essa vocação participem dessa rede. Hoje no Brasil a coordenação executiva é do Cenpec e  ninguém pode ficar de fora. 

Alerta (spoiler), está previsto para o segundo semestre de 2020 a primeira edição de uma premiação que envolverá escolas, universidades e organizações sociais para reconhecer experiências e projetos de aprendizagem solidária. Uma iniciativa que está sendo muito comemorada, ainda mais em um ano tão complexo quanto esse, quando o Brasil já ultrapassou a terrível soma de mais de 80 mil vítimas do novo coronavirus. Assim que a divulgação for confirmada trarei mais informações neste canal.


Referências:

BROOKE, N.; SOARES, J. F. (Orgs). Pesquisa em eficácia escolar: origem e trajetórias. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
CASALI, A.M.D.  O que é educação de qualidade? In: MANHAS, Cleomar (Org.).  Quanto custa universalizar o direito à educação? Brasília:UNICEF/CONANDA, 2011.
CAMPOS, M. M. A qualidade da educação em debate. Cadernos do Observatório: a educação brasileira na década de 90. São Paulo: Campanha Nacional pelo Direito à Educação, n. 2, p. 47-70, out. 2000.
DEMO, P. Educação e qualidade. 11ª ed. Campinas-SP: Papirus Editora, 2007.
______. Avaliação qualitativa: polêmicas do nosso tempo. 9ª ed. Campinas, SP: Autores Associados,  2008.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
MORI, KRG. A solidariedade como prática curricular educativa. Tese (doutorado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2013.



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